
Dizem que o mundo evoluiu muito.Também acho que sim, em muitos aspectos. Porém, nossa qualidade de vida regrediu assustadoramente.
No meu tempo de criança, as casas eram grandes e espaçosas. Havia porão, portas altas e muitas janelas, que mantinham sempre claro o ambiente, alegre e arejado. Os quintais eram cheios de árvores frutíferas, horta, flores, muitas galinhas e terra para a gente brincar.
Hoje, as casas mais parecem cavernas escuras e insalubres, com muros altos, portões de chapas, cadeados e grades. No verão, o ambiente torna-se insuportável e apela-se para os inúteis ventiladores, água gelada e ar condicionado. Concretam tudo, como se terra transmitisse doenças e as plantas fossem estorvo. Os condomínios fechados, então, se assemelham às cidades fortificadas da Idade Média.
Isso é progresso?
No meu tempo de criança, minha mãe ficava em casa. Tinha comida quente e almoço em volta da mesa. Ela estava sempre por perto e, apesar de pobres, nunca precisou nos deixar em creches ou nas mãos de terceiros. Hoje, a mulher foi buscar emancipação e a família se esfarelou. O lar ficou vazio e as crianças arrumaram outras “famílias”.
Comecei a trabalhar com 12 anos de idade e sentia o maior orgulho em ganhar meu próprio, apesar de diminuto, salário e ajudar em casa.
Hoje, os jovens estão por aí, nos cantos das esquinas em rodinhas ociosas. Verdadeiras bombas-relógios, que explodirão a qualquer hora. Algum idiota lá de cima achou que eles não devem trabalhar e nem pensou em ocupá-los de alguma forma. Acham que eles não têm sonhos e que um pai é capaz de sustentar os filhos até a maioridade.
Isso é progresso?
Quando era criança, tirei o diploma da quarta série sabendo mais que os da oitava de hoje. Cantava o Hino Nacional antes das aulas, e quando a professora entrava na classe, ficávamos todos em pé. As escolas eram alegres e muito longe da aparência de cadeião que têm agora.
Houve progresso?
Quando era criança, brincava na rua com meus amigos. Em cada esquina havia um campinho de futebol, de onde saíram os grandes atletas. Assistia Bem Hur no cine Politeama, Rei dos Reis, Os Dez Mandamentos, Marcelino Pão e Vinho, El Cid, Mazzaropi e o Gordo e o Magro. Hoje, as ruas são perigosas, os bairros não têm espaço e as crianças ficam na frente da TV engordando e se emburrecendo, cada vez mais, com programas fúteis e filmes violentos. Cinemas nem existem mais a não ser aqueles caixotões insalubres no shopping, onde dificilmente se projetam bons filmes, os preços são abusivos, o som é bom para quem é surdo, e o ar abafado fica impregnado com o cheiro de pipoca transgênica.
Isso é progresso?
Quando era criança ia catar peixinhos coloridos no ribeirão do Enxofre, cujas águas eram cristalinas. Hoje o ribeirão está morto, aliás, como quase todos os de nosso município, que por contínuo descaso do Poder Público, se transformaram em canais abertos de esgoto.
Isso é progresso?
Quando era criança não havia favelas, nem prontos-socorros lotados, nem bolsa-família, nem Febem, nem drogas, nem cadeias cheias de pobres, nem câmeras de vigilância, nem alarmes, nem medo e nem placas com obras “concluídas”. Dormíamos com as portas destrancadas; todos os vizinhos se conheciam e depois do jantar, assentavam-se nas soleiras das portas para contar seus causos.
Aquilo, sim, era progresso.
No meu tempo de criança, as casas eram grandes e espaçosas. Havia porão, portas altas e muitas janelas, que mantinham sempre claro o ambiente, alegre e arejado. Os quintais eram cheios de árvores frutíferas, horta, flores, muitas galinhas e terra para a gente brincar.
Hoje, as casas mais parecem cavernas escuras e insalubres, com muros altos, portões de chapas, cadeados e grades. No verão, o ambiente torna-se insuportável e apela-se para os inúteis ventiladores, água gelada e ar condicionado. Concretam tudo, como se terra transmitisse doenças e as plantas fossem estorvo. Os condomínios fechados, então, se assemelham às cidades fortificadas da Idade Média.
Isso é progresso?
No meu tempo de criança, minha mãe ficava em casa. Tinha comida quente e almoço em volta da mesa. Ela estava sempre por perto e, apesar de pobres, nunca precisou nos deixar em creches ou nas mãos de terceiros. Hoje, a mulher foi buscar emancipação e a família se esfarelou. O lar ficou vazio e as crianças arrumaram outras “famílias”.
Comecei a trabalhar com 12 anos de idade e sentia o maior orgulho em ganhar meu próprio, apesar de diminuto, salário e ajudar em casa.
Hoje, os jovens estão por aí, nos cantos das esquinas em rodinhas ociosas. Verdadeiras bombas-relógios, que explodirão a qualquer hora. Algum idiota lá de cima achou que eles não devem trabalhar e nem pensou em ocupá-los de alguma forma. Acham que eles não têm sonhos e que um pai é capaz de sustentar os filhos até a maioridade.
Isso é progresso?
Quando era criança, tirei o diploma da quarta série sabendo mais que os da oitava de hoje. Cantava o Hino Nacional antes das aulas, e quando a professora entrava na classe, ficávamos todos em pé. As escolas eram alegres e muito longe da aparência de cadeião que têm agora.
Houve progresso?
Quando era criança, brincava na rua com meus amigos. Em cada esquina havia um campinho de futebol, de onde saíram os grandes atletas. Assistia Bem Hur no cine Politeama, Rei dos Reis, Os Dez Mandamentos, Marcelino Pão e Vinho, El Cid, Mazzaropi e o Gordo e o Magro. Hoje, as ruas são perigosas, os bairros não têm espaço e as crianças ficam na frente da TV engordando e se emburrecendo, cada vez mais, com programas fúteis e filmes violentos. Cinemas nem existem mais a não ser aqueles caixotões insalubres no shopping, onde dificilmente se projetam bons filmes, os preços são abusivos, o som é bom para quem é surdo, e o ar abafado fica impregnado com o cheiro de pipoca transgênica.
Isso é progresso?
Quando era criança ia catar peixinhos coloridos no ribeirão do Enxofre, cujas águas eram cristalinas. Hoje o ribeirão está morto, aliás, como quase todos os de nosso município, que por contínuo descaso do Poder Público, se transformaram em canais abertos de esgoto.
Isso é progresso?
Quando era criança não havia favelas, nem prontos-socorros lotados, nem bolsa-família, nem Febem, nem drogas, nem cadeias cheias de pobres, nem câmeras de vigilância, nem alarmes, nem medo e nem placas com obras “concluídas”. Dormíamos com as portas destrancadas; todos os vizinhos se conheciam e depois do jantar, assentavam-se nas soleiras das portas para contar seus causos.
Aquilo, sim, era progresso.
(Totó Danelon - totodanelon@ig.com.br
é colunista do Jornal "Folha Cidade" de Piracicaba)
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