domingo, julho 29, 2007

Le Petit Prince


- Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz. Ás quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens por exemplo a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso criar rituais.
Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Quando chegou a hora da partida dele:-"Oh!" disse a raposa.
- Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o Pequeno Príncipe.
- Tu mesma quiseste que eu te cativasse...
- Adeus, disse o Pequeno Príncipe.
- Adeus, disse a raposa.
- Agora vou contar-te um segredo: Nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas tu não deve esquecê-la. Tu tornas-te eternamente responsável por tudo aquilo que cativas.
Antoine de Saint Exupéry

terça-feira, julho 24, 2007

Fabrica de Nuvens...

como Cordel fala:
- E Deus nos ensinou a criar....
Falta saber se estamos fazendo certo ou errado....

segunda-feira, julho 23, 2007

Você nasce.
Primeiro você percebe que as pessoas fazem de tudo para serem ao máximo, condizentes com o que chamam de ética, vive um pouco do que também chamam de vida. Descobre que nem tudo o que parece é, e que algumas pessoas só estão ali pra fazer figuração. Repara que as pequenas coisas te deixam feliz se você souber aproveitá-las; mesmo sem querer descobre que sempre tem alguém pra olhar, até naqueles momentos mais inoportunos mas que as vezes precisamos mesmo de alguma companhia.

Vê que a sua vida deve ser um ideal seu, e que aquelas manhãs de domingo te fazem bem. Aprende a gostar das chuvas de verão, e a achar respostas para as suas perguntas.
Depois você vai realmente ver, que o bom de viver não é fazer o que estejam "usando muito", mas sim o que você goste de usar muito.

Depois disso você vai viver o que você decidiu chamar de vida, e só depois daí o resto é realmente resto.

Talita Bac

domingo, julho 01, 2007

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, de sol, de lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja puro nem de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo, e no caso de assim não ser, deve sentir o vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas e seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio do solitário.
Precisa-se de um amigo para não enlouquecer, para contar o que viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se consciência de que ainda se vive.
Carlos Drummond de Andrade

Construa...


Dos três Mal Amados

O amor comeu meu nome,
minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade,
minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita,
o amor veio e comeu todos
os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos,
o número de meus sapatos,
o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso,
a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra,
meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte